terça-feira, 30 de abril de 2013

Rainha do Bitcoin: a empresa que controla a moeda virtual

Conheça um pouco mais sobre a empresa que gerencia a maior parte do Bitcoin disponível atualmente.


Rainha do Bitcoin: a empresa que controla a moeda virtualMoeda virtual (Fonte da imagem: Divulgação/Bitcoin Project)
“Bitcoin” é um termo usado para designar uma moeda virtual, usada na internet para transações financeiras (compras em lojas online, principalmente) e que pode ser convertida em qualquer moeda real. Dessa forma, há quem consiga trabalhar com o Bitcoin como quem usa o mercado de ações: compra quando está em baixa para vender quando a economia virtual estiver em alta.
Embora pareça algo muito perigoso para se investir (o que realmente é), desde a sua criação essa moeda vem ganhando força – ao menos no início, quando ainda era possível operar anonimamente no serviço, muita gente a usava para lavar dinheiro ou comprar drogas, mas hoje isso parece ter sido dificultado. De janeiro a abril, o Bitcoin viu o valor de cada unidade sua passar de 15 para 260 dólares.
Contudo, como muita gente começou a guardar o dinheiro virtual para vender quando estivesse ainda mais caro, bastou a primeira pessoa realizar essa ação para todos seguirem a onda: do dia para a noite, a unidade de Bitcoin teve uma redução de 100 dólares. Ou seja, mesmo com agências reguladoras, a moeda utópica que prometia não ser afetada pelo mercado externo mostrou ser capaz de entrar em crise também. aqui para

Quem está por trás disso

Como um negócio assim não poderia ter surgido absolutamente do zero, você pode imaginar que alguém inventou o Bitcoin. O pseudônimo dessa pessoa ou grupo (não se sabe) é Satoshi Nakamoto, o qual teria criado esse sistema monetário virtual em 2009 e não teria continuado o seu envolvimento além da metade de 2010.
Também criada no Japão, a empresa Mt. Gox (Magic: the Gathering Online Exchange) começou a funcionar gerenciando a troca de cartas entre jogadores do TCG popularmente conhecido como Magic. O seu fundador foi o mesmo do infame serviço eDonkey, Jed McCaleb, o qual vendeu a Mt. Gox para Mark Karpeles em 2011, sendo ele o atual presidente do negócio.
Visto que o mercado de troca de cards de Magic não era lá muito lucrativo, Karpeles viu no Bitcoin a esperança de fazer dinheiro gerenciando a troca da moeda entre os seus investidores. Embora não seja a única empresa a prestar tal serviço, a Mt. Gox é a atual líder de mercado nesse segmento, cuidando de 76% das transações realizadas entre os seus usuários antes da crise de abril (esse número parece ter caído para 63% desde então).
Rainha do Bitcoin: a empresa que controla a moeda virtualAceito em Berlin (Fonte da imagem: Reprodução/The Guardian)

De olho no dinheiro

Sediada no distrito de Shibuya, em Tóquio, a empresa vê passar pelas suas mãos o equivalente a 6 milhões de dólares diariamente (valor convertido do Bitcoin, baseado nos números pré-crise). Isso significa um lucro bruto de 60 mil dólares, subtraindo despesas básicas de escritório e pagamento dos seus 18 funcionários.
Talvez já prevendo problemas em continuar apenas com o Bitcoin, devido à enorme instabilidade da moeda, o presidente da empresa já está para lançar outro serviço de funcionamento muito similar, o Ripple. Embora funcione de modo similar, o enfoque do site parece ser nas transações financeiras, funcionando como um PayPal, por exemplo – mas que também pode acabar substituindo o Bitcoin caso a crise continue a se agravar.
Entretanto, antes de conseguir ser um sucesso no mercado financeiro virtual, a Mt. Gox precisou sofrer com alguns empecilhos (e continua lidando com o problema): hackers do mal (crackers) que invadiram o sistema e tentaram vender o valor equivalente a 7 milhões de dólares em Bitcoins. Para evitar uma catástrofe, a empresa fechou todas as negociações da moeda e conseguiu diminuir suas perdas para apenas 2 mil Bitcoins da época.
Rainha do Bitcoin: a empresa que controla a moeda virtualMark Karpeles à direita (Fonte da imagem: Reprodução/The Verge)

Responsabilidades legais

Antes desses ataques ao serviço, todas as operações gerenciadas pela Mt. Gox eram quase exclusivamente anônimas. Porém, a empresa não viu solução para desencorajar tentativas similares futuras senão começar a jogar usando as regras do mercado financeiro “real”. Jogada esperta, por sinal, pois recentemente um departamento do governo dos EUA (ligado à prevenção de crimes financeiros) declarou ilegais serviços de Bitcoin não registrados no órgão.
Aliar-se ao governo dos EUA foi um investimento que custou 25 milhões de dólares no primeiro para a Mt. Gox. Pode parecer caro, mas, considerando que essa medida impede qualquer atravancamento de transações no país e ainda consegue que o órgão financeiro do governo apreenda qualquer dinheiro que venha a ser roubado em ataques de hackers, o investimento acaba valendo muito a pena – é como se fosse um “seguro contra roubo”.
Segundo Gonzague Gay-Bouchery, chefe de marketing da empresa, justamente por ela ser a líder do setor é que precisa fazer tudo legalmente. Contudo, muitos dos usuários do serviço não concordam com essa atitude por pensar que ele não opera via meios legais – essas mesmas pessoas usam o Bitcoin para comprar drogas, lavar dinheiro ou são apenas libertários reacionistas.
Rainha do Bitcoin: a empresa que controla a moeda virtualCotação atual (Fonte da imagem: Reprodução/Mt. Gox)
Porém, esses usuários não poderiam estar mais enganados. Afinal, como o próprio programador-chefe do Bitcoin Project (responsável por fazer a moeda funcionar), Gavin Andresen, disse, muitos se irritam pelo Bitcoin usar regulamentações do governo de décadas atrás por acharem besteira alguém dizer como o cidadão deve ou não gastar o seu dinheiro. Embora concorde parcialmente com isso, Andresen diz que os políticos fazem as regras, então a Mt.Gox precisa segui-las por se tratar de uma empresa.
Fonte: The Verge


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